Inter Rail

De regresso a Portugal e como não podia deixar de ser, o fantástico telejornal invade sempre as preciosas horas da refeição.
Mas entre todas as trágicas noticias, de repente me desperta a atenção uma jovem que fala sobre o Inter Rail que fez este verão, e catastroficamente afirma que na verdade já não podia mais com os comboios!
Irreal, não pode ser verdade!
Lembras-te Dani, quando decidíamos da noite para o dia, ir visitar outra capital?!!
Era o que mais gostávamos, uma saca cheia de comida, e ai vamos nós... Tuca...tuca...tuca...
As verdadeiras aventuras aconteciam nos comboios.
Sentadas vendo o mundo passar em frente dos nossos olhos, conhecendo pessoas, tentando decifrar línguas, (e muitas vezes se ouvia o Português), descobrindo paisagens, caminhos, sentindo o cheiro da terra quente ao final do dia, vendo o que as pequenas janelas te impediam de ouvir... e sonhando! Sonhando com o que pensa cada pessoa que vai naquele comboio. Para onde irá?!
Tanta cumplicidade existia quando adormecíamos e nos despertavam as mialgias de pescoço, das tão estranhas posições.
O comboio era o nosso espaço! O nosso espaço comum em todas as cidades por onde passávamos, uns mais antigos, outros mais modernos, mas todos deslizando sobre o mundo por descobrir.
Viagens atribuladas, com histórias irreais, que passam uma vez na vida porque há que viver tudo enquanto é tempo! Recordo os momentos tranquilos em que trocávamos de lugar quatro vezes na mesma viagem, por não ter acento reservado, as viagens nocturnas em que nos apercebíamos que éramos as duas únicas almas do sexo feminino e decidíamos ficar na carruagem ao lado da do motorista(por precaução), recordo os momentos "PASSAPORT CONTROL" que sempre nos despertava tresloucadas, o colocar o pijama, o ir lavar os dentes, o planear o próximo destino no largo mapa que se gastava pouco a pouco...

Como recordo(...)!Recordas-te quando o motorista nos despertou às tantas da manha porque precisamente a carruagem onde dormíamos iria ficar na estacão, só faltava por sair nós as duas! Saímos com os sacos cama ao ombro como dizendo, não se interrompe assim o sonho!!!
E quando muitas eram as vezes em que nos deixávamos ir... simplesmente pela maravilha de ver a passar ao nosso lado a maresia do inesperado que pouco a pouco descobríamos.

Os comboios são algo que hoje olho com carinho e me recordam um lar!



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